terça-feira, 26 de janeiro de 2010

QUEM FOI YESHUA

Parte I
Yeshua, o Judeu
I.1 - INTRODUÇÃO
Se alguém te perguntar quem é Paul McCartney você saberia responder?
Creio que a grande maioria saberia dizer que era um dos integrante dos Beatles. Outros lembrariam
que ele mora na Inglaterra, outros ainda que ele foi casado com Linda McCartney. A grande maioria das
pessoas pouco sabe sobre os detalhes da vida dele. Mas, se você perguntasse isto a um membro de um fãclube
dos Beatles? Você provavelmente esperaria que eles conhecessem muitas coisas a respeito do Paul
McCartney.
Agora, se alguém te perguntasse o que você sabe sobre quem foi Yeshua? Como ele viveu? A que
grupos sociais ele pertencia? Entre outras… Infelizmente, a realidade é que muitos dos que se dizem
seguidores dele mal o conhecem! E você, realmente sabe quem foi Yeshua? Esta série de artigos tem por
objetivo justamente isto: contar um pouco mais sobre Yeshua e a vida que ele levava.
I.2 – PODEMOS CUSTOMIZAR O MESSIAS?
Uma das grandes mentiras que a "Nova Era" propaga entre os povos é a idéia de que o Eterno pode
ser do jeito que você desejar que Ele seja. É como um verdadeiro supermercado espiritual onde as pessoas
escolhem aquilo no que crer. Infelizmente, muitos dos ditos seguidores de Yeshua fazem o mesmo com ele,
às vezes até mesmo sem perceber. O Yeshua que é apresentado nos Evangelhos não é uma pessoa mística
que se enquadra a qualquer gosto. Yeshua nasceu, cresceu, viveu e pregou entre judeus. Fez discípulos
judeus, que o descreveram nos livros do B'rit Chadashah (Novo Testamento) dentro de uma ótica judaica. Se
o removemos de Seu contexto judaico, jamais o entenderemos de fato.
O movimento iniciado por Yeshua cresceu tanto que hoje é encontrado em cada tribo e nação do
planeta. Tal fé rompeu todas as barreiras culturais e sociais. Em Yeshua, a mensagem do Eterno é para todos,
a salvação é para todos, e não há divisões étnicas ou barreiras raciais. Contudo, o centro da fé bíblica é
Yeshua, e Yeshua é um judeu.
I.3 – O NASCIMENTO DE UM JUDEU CHAMADO YESHUA
Ele nasceu de uma mãe judia, e pertenceu a uma típica família judaica. Como todo filho homem
judeu, fez o seu B'rit Milá, ou seja, foi circuncidado ao oitavo dia. De acordo com a tradição judaica, recebeu
o seu nome no dia em que foi circuncidado, como os judeus o fazem até hoje. Ele recebeu o nome de Yeshua.
O nome foi dado porque Yeshua significa "salvação". Yeshua recebeu a missão de salvar o Seu povo de
todos os seus pecados. Pergunta: Yeshua falhou em tal missão? Espero que ninguém responda que sim! Se
Yeshua não falhou, porque ainda há pessoas que insistem em dizer que os judeus não serão salvos? O povo
de Yeshua descende de Avraham (Abraão), Itschak (Isaque) e Ya'akov (Jacó). O povo de Yeshua é o povo
judeu.
I.4 – A VIDA COMUNITÁRIA DE YESHUA
Yeshua foi criado como judeu numa comunidade que seria equivalente ao que é hoje uma
comunidade judaico-ortodoxa. Você conhece uma comunidade judaico-ortodoxa? Não? Sem ao menos
sabermos como é, jamais entenderemos a Yeshua plenamente.
Natseret (Nazaré), cidade onde Ele cresceu, foi fundada pelos descendentes do Rei David, e ficava
na Galiléia, uma região totalmente judaica. Você conhece a história da Galiléia, berço de nosso Salvador?
Pois é, pouco se conta nas igrejas que a Galiléia era um dos maiores centros de estudos judaicos de Israel
naquela época. Yeshua não simplesmente "nasceu sabendo" tudo o que ele sabia. Lembre-se de que Ele se
desfez de Sua glória para se tornar humano. Não foi por acaso que o Pai o colocou naquele local. Yeshua
aprendeu de perto com alguns dos maiores rabinos daquela época. Você sabia que muitos de seus
ensinamentos são citações de tais rabinos? Pois é, caro leitor, como você pode ver, sem conhecermos o
trabalho de tal rabino, como compreender a educação que teve nosso Messias? Yeshua foi educado como um
parush (fariseu).
Certamente que tal educação influenciou suas disputas teológicas com algumas escolas farisaicas. Ao
contrário do que muitos crêem, Yeshua não era contra TODOS os fariseus, mas tinha disputas sérias com os
p'rushim (fariseus) da escola de Shamai, que eram extremamente legalistas.
Sua vida na comunidade judaica foi absolutamente normal. Conforme o costume judaico, ele
observava todas as festas bíblicas, e buscava ao Pai no Shabat, o dia que o Eterno desde a fundação do
mundo estabeleceu como Seu dia.
I.5 – A ALIMENTAÇÃO DE YESHUA
Yeshua tinha uma saudável alimentação kasher, segundo a Torá em Vayicra (Levítico) 11. Isto
significa que carnes como a de porco, coelho, répteis, camarão, etc., além de boa parte da gordura animal, não
faziam parte da sua dieta. Durante o Pessach (a "páscoa" judaica), Yeshua como todo bom judeu comia
apenas pães sem fermento. Yeshua também jejuava no Yom Kippur, o conhecido Dia da Expiação, quando o
Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) oferecia sacrifício pela expiação do pecado do povo.
I.6 – COMO YESHUA SE VESTIA?
Yeshua se vestia como judeu. Isto significa que não misturava lã com linho, conforme determinação
da Torá. Yeshua certamente usava talit, o sagrado manto de oração que contém os tsitsit, que são as franjas
que a Torá determina que usemos para nos lembrarmos de que devemos viver segundo os preceitos do
Eterno. Os tsitsiyot de Yeshua possuiam um fio azul, que simboliza o caminho de safira descrito em Shemot
(Êxodo) 24:10, ou seja o caminho do Eterno. Foi justamente nos tsitsit de Yeshua que a mulher que tinha
fluxo de sangue tocou e foi curada. Não foi um simples ato de tocar em Yeshua. Tocar nos tsitsit significava
que ela reconhecia nEle a autoridade de Messias.
Como todo judeu de seu tempo, Yeshua também certamente usava kippá. O kippá é uma cobertura
para a cabeça que representa nosso reconhecimento de que a Shechiná (Glória) do Eterno está sobre nós. É
uma vestimenta que deriva das vestes sacerdotais na Torá.
Yeshua também usava t'filim, popularmente conhecidos como filactérios. Os t'filim têm como
objetivo simbolizar que as leis do Eterno estão presentes em nossa mente (por isso é atado entre os olhos) e
em nossos atos (na mão). A Torá do Eterno nos guarda para que não pequemos em nossa mente nem em
nossos atos.
I.7 – YESHUA E A SINAGOGA
No Shabat, pela manhã, Yeshua ia à sinagoga. Ao contrário de muitos hoje em dia que fazem tudo
por um microfone, Yeshua sabia que antes de poder falar e questionar, era necessário aprender.
Provavelmente, como era de costume, aos cinco anos Yeshua começou a aprender a o hebraico (sua língua
nativa era o aramaico) e a estudar a Torá do Eterno. Por volta dos 13 anos, Yeshua provavelmente fez o seu
Bar Mitsvá, uma cerimônia que marca a passagem da criança para a vida adulta. Como todo judeu, aos 13
anos Yeshua tinha que saber de cor toda a Torá.
Fica a pergunta: nós que nos dizemos seguidores dele, quanto das Escrituras sabem nossos filhos aos
13 anos? Será que nós sabemos hoje tanto quanto um menino judeu sabia no tempo de Yeshua? Como
teremos uma fé sólida sem conhecermos as escrituras.
No Shabat, Yeshua não só aprendia a Torá como recitava bênçãos. Estas bênçãos não são como nas
igrejas pós-modernas. Não visavam prosperidade, mas sim darmos o devido reconhecimento ao Eterno da
soberania dEle sobre nossas vidas. Ao declararmos Sua majestade, fortalecemos nossa fé. Ao fortalecermos
nossa fé, nossa vida espiritual melhora. Com a vida espiritual melhor, somos mais felizes, mais preparados e
nos sentimos mais próximos ao Eterno. O menino Yeshua sabia disto ao ler o Sidur (livro de bênçãos) a cada
Shabat. Após sua maioridade, Yeshua também passou a participar da leitura do Tanach. É tradição judaica
até hoje ler-se muito os textos sagrados no Shabat. Foi desta forma que Yeshua pôde ler o rolo de Yesha'yahu
(Isaías) e declarar que Ele era o seu cumprimento. Yeshua sempre argumentava a partir das Escrituras,
expondo-as perante o questionador (uma técnica rabínica).
Ao final do Shabat, Yeshua participava do Kidush, que é o animado partir do pão onde damos
graças ao Eterno pelas provisões semanais. Os discípulos de Yeshua mantiveram esta prática após os
serviços, tanto que é mencionado o partir do pão diversas vezes no livro de Atos.
I.8 – YESHUA SE TORNA UM RABINO
Yeshua tornou-se um respeitado rabino. Para alguém se tornar um rabino, é necessário (até hoje)
muito estudo. Este foi certamente um dos motivos (ou talvez "o" motivo) de Seu ministério só ter se iniciado
por volta dos 30 anos. Ele ensinava a partir do Tanach (Tanach significa: Torá, Nevi'im / Profetas, e Ketuvim
/ Escritos). Ao contrário do que aparece nos filmes, a grande maioria dos discípulos de um rabino eram
meninos, bastante jovens. Com Yeshua não era diferente. Vemos até mesmo pela idade em que morreram
que os discípulos de Yeshua tinham entre 13 e 20 anos, no máximo. Eram meninos inexperientes.
Ao contrário da nossa cultura, onde vamos à escola por 4-5 horas e voltamos para casa, um discípulo
no judaísmo vivia com o seu rabino. Com os discípulos de Yeshua não era diferente. Eles não desviavam os
olhos de Yeshua um minuto sequer. Será que somos assim?
I.9 – YESHUA: ETERNAMENTE JUDEU
Infelizmente, ao longo dos séculos, a figura de Yeshua transformou-se no "Jesus anti-semita" que
encontramos primeiro na igreja de Roma, mas que depois foi herdada por muitas outras igrejas. A teologia
anti-judaica e a premissa de que não é importante vivermos conforme as leis do Eterno nada tinha de
semelhante com a pregação do rabino Yeshua, um grande judeu que viveu o pleno cumprimento da Torá.
Yeshua é um judeu, viveu como judeu, morreu como judeu, e de acordo com Ezequiel, continuará a
ser o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Malki Tsedek, oficiando no Templo (judaico) de Yerushalayim
(Jerusalém).
Tão precioso sangue de Yeshua, derramado por nossos pecados no madeiro, era sangue judeu. E a
placa acima de seu madeiro dizia: "Yeshua de Natseret, Rei dos Judeus"